11º PROGRAMA ANUAL DO SERVIÇO EDUCATIVO

estrangeiro . limites . muro . vedação . limiar . migrações . emigrante . viajante soleira da porta . turista . imigrante . margem . bordo . nómada . contacto

Em 1992, no colóquio ´Existe uma Cultura Portuguesa? Boaventura Sousa Santos enuncia a condição da cultura portuguesa como uma forma.

Uma cultura com uma forma de fronteira.
Quase trinta anos depois, as questões físicas, ambientais, humanas, políticas – a hiper-securização e a segregação consequente que os muros ou construídos ou em construção agudizam – parece-nos urgente pensar sobre perigo humanitário e ambiental que o reforço e encerramento de fronteiras implica. Esta hiperbolização das identidades e das fronteiras é assunto de máxima importância para pensar a educação nos campos do território e da paisagem - a que habitamos e estudamos, como museu de território, para criar mais pontos de vista sobre as divisões e limites do nosso mundo humano e para além do humano. Insiste-se, sempre e com convicção, na importância da densidade e diferença, da vida plural e na condição humana como condição em comum, questionando as representações que a reduzem a uma definição ou imagem única.
O Douro é construído (e foi construído) por quem aqui vive, mas também, por galegos, por ingleses e holandeses ou, na atualidade, por ucranianos e romenos e angolanos; pensado, imaginado, projetado, ficcionado por visitantes, por turistas, por políticos, por estudiosos ou amadores da paisagem.

Connosco estão pessoas. Professores, educadores, membros de associações, adolescentes, jovens em contexto pré-laboral, estudantes da universidade sénior que se implicam na vida humana e mais que humana que as rodeia, que gostam de a tentar perceber, de lhe fazer perguntas:
Entre Volos (Grécia) e Sendim (Porto, Douro Internacional); entre Armamar e Vila Real, Meda e Pinhão, entre Santa Marta de Penaguião e Lamego, entre muitos outros lugares e nomes deste território que representações sobre as fronteiras, sobre o outro que não é do nosso país, ou da nossa cultura humana e além humana?
Que leituras ou impressões encontramos no nosso confronto com (o) estrangeiro?

Fica aqui a mostra FRONTEIRA 2016 E 2017 para dar a conhecer a quem nos visita, português ou de outros países, o que fazemos. Expor, Mostrar, de modo mais sintético e recorrendo à comunicação visual, ações do que foi realizado e do que se vai realizar com os participantes neste projeto de trabalho.

Por isso uma palavra de enorme agradecimento aos participantes: aos professores, educadores, membros de associações, crianças, jovens e seniores que connosco se envolvem neste perguntar e um obrigado especial a Plavos Eleftherios (professor e arquiteto grego e aos jovens com quem trabalha) que se juntou a nós, a vários quilómetros de distância, entre o norte de Portugal e o centro da Grécia, em Volos.


FRONTEIRA . OUTROS PROGRAMAS

Ler debaixo da árvore | Percursos – vinha, mata, ferro, cidade | Paisagem => Cinema | a 1º semana do mês – oficinas experimentais | bios – biografias – municípios de Trás-os-Montes e Alto Douro – parceria Fundação EDP.

Alfândega da Fé, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Macedo de Cavaleiros, Meda, Mesão Frio, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Murça, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, S João da Pesqueira, Tabuaço, Torre de Moncorvo, Vila Flor.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

PROGRAMA E ORIENTAÇÃO

Marisa Adegas, Filipe Marado, Samuel Guimarães (coord.),
Sara Monteiro, Susana Rosa

CONVIDADOS

Teatro: Inês Vicente – Ana Limpinho
Geografia: Álvaro Domingues

MOSTRA
Ideia e montagem

Artur Matos, Filipe Marado, Samuel Guimarães, Marisa Adegas, Carlos Mota
Design de comunicação
Artur Matos

PARTICIPANTES

Armamar
Conceição Martins, Edite Ribeiro, Rosália Botelho – JI Armamar
Alice Sousa, Arminda Cardoso – Escola Básica José Manuel Durão Barroso
Carla Cabral - EBS Gomes Teixeira

Lamego
Antónia Taveira, Clarisse Proença, João Santos Melo – Escola Básica e JI de Cambres

Peso da Régua
Céu Marques – JI Galafura | Gabriela Mendes, Ivone Teixeira, Lina Barros, Susana Meireles – JI Santa Casa da Misericórdia | Maria do Céu Ramos – Centro Escolar da Alameda | Lídia Coutinho, Helena Ventura, Maria Irene Guedes| grupo Filoxera – EB 2,3 de Peso da Régua | Artur Matos – ES /3 Dr. João de Araújo Correia | Cármen Vale – Universidade Sénior

Vila Real
Isabel Rego – JI da Escola Básica nº6, Timpeira | Lúcia Gonçalves – JI Nº 2 Vila Real

Volos, Grécia
Klendrou Dimitra, Danou - Karazisi Polixeni, Plavos Eleftherios - 1 EPAL Neas Ionias Magnisias

AGRADECIMENTOS

Carlos Mota, Filipe Barros, Luís Paulo (e à sua guitarra), Fátima Correia, Andreia Guimarães.
Às câmaras municipais e juntas de freguesia envolvidas pelo apoio nas deslocações e transportes. E a todos os que, de vários modos, colaboraram e construíram connosco este projeto.